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A Construção e a Sustentabilidade

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A construção e a Sustentabilidade

 

A busca pela sustentabilidade no setor da construção é um grande desafio, principalmente para o Brasil, que ainda vive um processo de urbanização com enorme déficit habitacional. A construção sustentável é, neste contexto, um ponto de equilíbrio entre proteção ao meio ambiente, crescimento econômico com inclusão social e promoção de qualidade de vida em relação ao ambiente construído e urbano.

Em função do grande volume de extração de matéria-prima, o setor da construção civil utiliza na maioria das vezes, materiais abundantes e de baixo custo, baseados em alumínio, ferro, silício e cálcio, as espécies químicas mais abundantes no planeta. Devido à grande demanda do setor, é provável que nenhum dos principais materiais utilizados atualmente seja substituído nos próximos anos. Sendo assim, a mitigação do impacto ambiental do setor depende da otimização dos produtos existentes.

Em 2018, a cadeia produtiva da construção registrou valor adicionado de R$ 260 bilhões, respondendo por 3,8 do PIB brasileiro, refletindo a retração dos últimos 5 anos, das duas principais fontes de demanda setorial, a construção civil e o comércio. Contudo, a expectativa é que o setor volte a crescer e dobre de tamanho nos próximos anos. Mantidas as atuais práticas, esse crescimento deve agravar os problemas ambientais e sociais relacionados aos materiais de construção.

A cadeia de materiais de construção civil é responsável por 1/3 do total de emissões de gases do efeito estufa e consome aproximadamente metade das matérias-primas extraídas da natureza. O crescimento da população mundial e a demanda social por ambiente de qualidade agravam ainda mais este quadro, já que na construção civil a demanda é de 4 a 7 toneladas de material/hab.1 ano, os quais em sua grande maioria ainda são processados com alto consumo de energia e geração de resíduos. Os resíduos também são gerados nas diferentes fases da construção, principalmente pela deficiência de gestão dos canteiros e falta de coordenação modular dos diferentes materiais utilizados, aumentando consideravelmente os custos do setor.

Nesse contexto, o desenvolvimento de produtos tradicionais que utilizem novos materiais e/ou novas técnicas, com menor degradação ambiental respeitando a capacidade de recuperação dos ecossistemas, com menor consumo de água, energia e matérias-primas, favorece a diminuição da geração de resíduos e o aumento da produtividade nas construções, sem aumentar o uso de recursos e os impactos ambientais.

Por outro lado, a divulgação do desenvolvimento da indústria da cerâmica vermelha ao longo dos últimos anos, quanto ao desenvolvimento de novos produtos e ao processo de produção diferenciada e cada vez mais sustentável, é de grande importância e torna-se cada vez mais necessária. Já que o consumidor final é cada vez mais exigente quanto à qualidade e sustentabilidade do produto por ele consumido, ao mesmo tempo em que aumenta o número de materiais e sistemas que se propõem a substituir a alvenaria cerâmica tradicional e estrutural. Como por exemplo, os materiais apresentados no Programa É de Casa, onde em 28 de julho de 2018 abordou os diferentes tipos de telhas e em 25 de agosto de 2018, os diferentes tipos de tijolos. O Programa É de Casa é da rede Globo, tem alcance nacional e grande audiência. Os produtos foram apresentados e comparados aos seus equivalentes no mercado, desde o preço até seu desempenho quanto a resistência, durabilidade, manutenção a até processo de instalação.

A evolução do processo produtivo da cerâmica vermelha no Brasil está no caminho certo, mas o caminho é grande a se percorrer, principalmente na sua divulgação para fazer frente aos novos produtos do mercado. A cerâmica ainda é o produto mais escolhido para as pequenas e médias construções, mas tem perdido mercado para os outros materiais, principalmente na execução de grandes construções. O maior motivo para esse comportamento é a sustentabilidade do setor e é esta mesma sustentabilidade a principal aliada para modificar esse quadro, basta além de realizar toda a inovação necessária, divulgar o processo e os benefícios ambientais ao consumidor final.

 

*Izabella Valadão é Engenheira Civil, com pós-doutorado em resíduos sólidos, pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e CNR/Pisa-Itália. Mestre e Doutora em Engenharia Metalúrgica, pela UFF com ênfase em Simulação de Fenômenos e Processos Ambientais. Na Universidade Veiga de Almeida (UVA) é Docente do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente e do Curso de Engenharia Civil. Na UFF é Professora Adjunta desde 2013, no Departamento de Engenharia Agrícola e Meio Ambiente (TER). Em 15 anos de experiência docente, atua na Pesquisa Acadêmica, com orientação de projetos de iniciação científica e de extensão, tendo diversos projetos de pesquisa nacionais e internacionais financiados por agência de fomento. Já foi membro do Comitê de Ética, do Comitê Científico e Assessora de Pesquisa. Foi Assessora da Secretaria de Meio Ambiente de Volta Redonda e é consultora adhoc da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular - Funadesp e do Programa É de Casa, da Rede Globo.