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VERMELHO até o teto...

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Vermelho até o teto...

 

Arquiteto assina projeto onde as casas se agrupam em torno de um pátio central e trazem de volta a ideia de comunidade.

 

Em Guayaquil, no Equador, existe um complexo residencial que é uma cidade dentro da cidade. Sua arquitetura peculiar lembra uma antiga vila que se molda em torno de um pátio central, semelhante a uma grande praça, com unidades habitacionais individuais, unidas que traçam um quadrado e juntas delimitam a área.

O arquiteto chileno Felipe Assadi assina o projeto Casa EI Cortijo, que abrange uma área total de 5.000 m² e se baseia em estilos vernaculares, adaptando-os à linguagem contemporânea, para projetar não apenas um conjunto de casas, mas o conceito de comunidade.

A estrutura fica em uma área verde e sua cor vermelha, dada pela utilização dos tijolos cerâmicos, escolhidos para alinhar as casas, emprestam um ar tradicional à construção. À primeira vista, os quatro lados da praça, irregulares, parecem ser blocos ininterruptos, para imitar as paredes de um pequeno castelo. Mas cada unidade é dividida pela outra através de partições que abrem passagens no corpo compacto do complexo.

Outro elemento de separação é representado pelos telhados inclinados, de inspiração rural. Felipe Assadi Arquitectos construiu a casa como uma série de volumes que são quase inteiramente feitos de tijolos, incluindo os telhados inclinados que criam numerosos picos. O arranjo segmentado é usado para dividir as funções da residência. No entanto, Assadi renuncia à simetria perfeita, escolhendo um ângulo e uma inclinação diferentes para cada telhado. O resultado são várias dobras no espaço, que dão movimento à aparência maciça.

Se nenhuma casa é idêntica às outras, o valor é dado à autonomia e especificidade de cada uma. Como se dissesse que o horizonte coletivo não envolve qualquer sacrifício do que é único e privado. Se por fora o complexo residencial é apertado como um caixão pontudo, por dentro, no lado voltado para o pátio, as paredes caem, dando lugar a janelas do chão ao teto, sulcadas por perfis de metal preto em contraste com o tema recorrente dos tijolos.

As geometrias são angulares, decisivas e adquirem dinamismo e ritmo em virtude das dimensões variáveis de cada casa. No meio, um gramado e uma piscina compõem a paisagem exclusiva que os condomínios podem desfrutar. As vistas em perspectiva deste oásis silencioso, protegido do frenesi da cidade, são asseguradas por aberturas que cortam as casas por todo o comprimento, ligando a fachada interna à externa.

Os interiores das várias unidades, diferentes em tamanho, são unidos pela presença de tetos altos, que seguem o perfil pontudo de seis telhados. Quanto à arquitetura, as notas contemporâneas e os ecos tradicionais se combinam harmoniosamente, criando uma atmosfera distinta, tranquila, mas não sem personalidade. Assim, Felipe Assadi sugere um novo modo de viver, que olha para o passado e para uma dimensão mais autêntica e solidária, para encurtar as distâncias entre o público e o privado.

"Se tivéssemos que remover as divisões, teríamos um único edifício contínuo com um grande pátio interno", disse a empresa. Guayaquil fica a cerca de sete horas de carro ao sul da capital do Equador, Quito. A Felipe Assadi Arquitectos, sediada na cidade chilena Las Condes, projetou muitas casas na América do Sul, a maioria delas localizada em seu país de origem.