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História da cerâmica no Brasil: índios da Ilha do Marajó

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     No Brasil, a cerâmica tem seus primeiros registros na Ilha de Marajó (PA), a partir da avançada cultura indígena que floresceu no local. O material ali produzido era altamente elaborado e de uma especialização artesanal que compreendia várias técnicas: raspagem, incisão, excisão e pintura.

  Mesmo desconhecendo o torno e operando com instrumentos rudimentares, o índio da Ilha do Marajó conseguiu criar uma cerâmica de valor, que mostra uma superação dos estágios primitivos da Idade da Pedra e do Bronze.

    Percebe-se, portanto, que a tradição ceramista não chegou ao Brasil com os portugueses, em 1500, ou veio na bagagem cultural dos escravos. Os índios já haviam firmado a cultura do trabalho em barro. Por isso, os colonizadores, apenas estruturaram o setor e concentraram a mão de obra, ao instalarem as primeiras olarias em terras brasileiras.

Iniciou-se, a partir daí, um desenvolvimento mais acelerado do segmento.      O rudimentar processo aborígine, no entanto, sofreu modificações com as instalações de olarias nos colégios, engenhos e fazendas jesuítas, onde se produziam, além de tijolos e telhas, também louça de barro para consumo diário. A introdução de uso do torno e das “rodadeiras” foi a mais importante dessas influências. Com essa técnica, passou a haver maior simetria na forma e a produção de acabamentos mais perfeitos, com um menor tempo de trabalho.

    Em 1575, há indícios do uso de telhas na formação da vila que viria a ser a cidade de São Paulo/SP. Portanto, a partir desse estímulo, começa o desenvolvimento da atividade cerâmica de forma mais intensa no Brasil, sendo as olarias o marco inicial da indústria em São Paulo.

   A primeira grande fábrica de produtos cerâmicos do País foi fundada também em São Paulo, em 1893, por quatro irmãos franceses, naturais de Marselha. Com o nome de “Estabelecimentos Sacoman Frères”, posteriormente alterado para “Cerâmica Sacoman S.A.”, a empresa encerrou suas atividades em 1956. O nome das telhas conhecidas por “francesas” ou “marselhesas” é devido à origem destes empresários.

Fonte: Revista Anicer (Por Laís Napoli, sob supervisão de Manuela Souza)