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POTENCIAL DO USO DA BIOMASSA NAS CERÂMICAS

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A emergência das questões ambientais e da legislação que restringe o uso de lenha nativa de diversos biomas já vem há a tempos levando a indústria de cerâmica vermelha a buscar alternativas. A afirmação é do consultor em cerâmica vermelha e técnico em cerâmica da Anicer Edvaldo Maia. Conforme ele, o uso de biomassas alternativas está crescendo, pois, além da abundância no Brasil, permite a solução no consumo eficiente de energia, além de gerar matriz energética verde.

Ainda de acordo com Maia, os principais benefícios da biomassa são reposição florestal, administração de projetos (manejos, fretes, reflorestamentos, etc), garantia de autossuficiência, segurança. Quanto ao suprimento futuro, capacidade de gerar a própria energia elétrica e possibilidade de ter receita com "Créditos de Carbono".

Além disso, Maia afirmou que a Biomassa é renovável, retira CO2 da atmosfera, possui leis de proteção mais severas e dá à empresa uma imagem ecologicamente positiva. Entre as principais fontes de biomassa estão a lenha de reflorestamento (eucalipto); resíduo moveleiro; cavaco; serragem; serragem com outras fontes (exemplo: castanha). Pela ordem os mais utilizados são a lenha de reflorestamento (eucalipto, pinho, sabiá, bambu, etc); cavaco (lenha picada), serragem, maravalha, briquetes, carvão; cascas (coco, arroz, castanha, algodão, café, etc); palhas (coco, carnaúba, etc); bagaço e as palhas da cana; capim, aparas, podas e resíduos agropecuários.

Conforme o engenheiro ceramista Clement Cadier, as principais características das biomassas são umidade, densidade e poder calorífico. Além disso, são acessíveis e fáceis de armazenar. Outra vantagem, conforme o consultor técnico da Anicer Osíris Lima, é que o uso de uma biomassa renovável substitui a necessidade de uso de lenha nativa, óleo BPF e gás, que são recursos não renováveis.

Já a grande desvantagem, conforme a engenheira ambiental Cíntia Casagrande, é que o seu uso sem o devido planejamento pode ocasionar a formação de grandes áreas desmatadas pelo corte incontrolado de árvores, perda dos nutrientes do solo, erosões e emissão excessiva de gases. "A queima da lenha como combustível nas cerâmicas emite poluentes para a atmosfera. Para o controle das emissões, é necessário um monitoramento periódico através de laudos laboratoriais. O filtro instalado na chaminé é uma das alternativas para impedir a liberação de poluentes", completou.

Atualmente, conforme Lima, ainda se usa lenha e derivados processados, como serragem e lenha picada, entre outros, mas segue em desenvolvimento em todo o Brasil alternativas em biomassas, combustíveis líquidos e gasosos.

Imagem de empresa "ecologicamente correta"

 

A cerâmica que consome biomassa deve passar uma imagem de empresa “ecologicamente Correta”, conforme o consultor em cerâmica vermelha Edvaldo Maia. "Precisamos quebrar este paradigma de que a cerâmica é poluidora e mostrar que usamos fontes alternativas e que solucionamos em muitos casos o problema (passivos) de outros setores que geram resíduos como por exemplo das serrarias, indústrias moveleira e agroindústria”.

Maia ressaltou que o uso de biomassa pode “gerar e negociar créditos de carbono no mercado internacional por meio de diferentes operações, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), pelo 12° artigo do Protocolo de Quioto". "A negociação dos créditos de carbono possibilita que as empresas cerâmicas possam investir na produção e em novos equipamentos, ao mesmo tempo em que reduzem a emissão de poluentes", destacou o consultor.

“Eu, particularmente, nem considero biomassa uma alternativa e sim que o Brasil, por sempre dispor em todo território de recursos naturais quase gratuitos, o empresariado acostumou-se em anos passados a não gerenciar e colocar no custo de seus produtos valor dos insumos necessários ao processa mento destes. Outro fator importante é que cerâmica tem papel importante na solução de problemas de resíduos de outras ramificações fabris, a exemplo, o uso de palha de arroz no sul do País; onde antes esse resíduo seria um passivo ambiental de solução complicada ao agronegócio e hoje a cerâmica faz uso da paIha sem maiores prejuízos ao meio ambiente”, relatou o consultor técnico da Anicer, Osíris Lima.

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Evite desperdícios

 

O ceramista vai evitar desperdícios otimizando o processo de queima e de secagem, conforme o engenheiro cerâmico Clement Cadier. São formas de impedir o desperdício evitar vazamento de ar no secador e no fomo; otimizar a recuperação de calor do forno para o secador, evitar requeima do material, otimizar a isolação térmica do forno e do secador e escolher a tecnologia de forno e secador privilegiando as tecnologias contínuas como o forno túnel.

Lima complementou que cada forno é concebido para determinada técnica de queima e os combustíveis também devem ser utilizados conforme suas características, para se conseguir o maior potencial de energia possível. "Tudo deve ter projeto em uma empresa", acrescentou.

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Adoção da Biomassa

 

A maioria das soluções técnicas de secagem e de queima é adaptável ao uso de biomassa, conforme o engenheiro cerâmico Clement Cadier. "O ceramista precisa contratar uma empresa especializada em processo cerâmico para usar a biomassa de maneira eficiente. Em paralelo, precisa desenvolver parceiros locais para abastecimento de biomassa".

Entre os erros mais comuns quando o ceramista passa a utilizar biomassa em sua cerâmica, segundo Cadier, é subestimar a variação da biomassa. "Diferentemente de outros combustíveis, a biomassa apresenta variações de poder calorifico, densidade e umidade. O ceramista precisa se preparar com equipamentos e áreas de estoque para minimizar essas variações", destacou. O consultor técnico da Anicer Osíris Lima complementou que tudo se resume ao erro de se utilizar algo sem o completo entendimento e sem a estrutura necessária. "E ainda, sem controle e gestão quando em uso, para verificar se tudo corre conforme o previsto". "Sempre recomendo que tudo parta de um projeto, com análise de viabilidade técnica, econômica e de desempenho. São várias as biomassas. A Anicer tem em seu projeto "Cerâmica Sustentável é Vida" uma consultoria toda dedicada a essa demanda do setor". disse Lima.

Para o professor na área de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Abdel Hach, o erro mais comum é a falta de gestão dos recursos energéticos. "A maioria dos ceramistas trabalha para atender o mercado que é geral mente instável. Este erro é resultado de falta de gestão da macroeconomia e estratégias claras do executivo a nível Federal. Nenhum ceramista é tão Inconsequente para modificar seu sistema energético com recursos financeiros próprios, sem garantia de uma economia estável que possa absorver seu investi mento financeiro", disse.

A preocupação de todo ceramista, conforme Maia, deve ser reflorestamento, manejo e o uso de resíduos. Segundo ele, o ceramista deve verificar e intensificar as pesquisas em sua região para saber os tipos de biomassa disponíveis. Há também a necessidade de projetos e pesquisas para tomar o uso destas tecnologias viável à indústria ceramista.

“Portanto, os ceramistas devem procurar diversificar suas fontes de suprimento de combustíveis e saber sobre a disponibilidade, os preços e as formas de utilização dos diversos tipos de combustíveis que podem ser usados. A Biomassa é o combustível ideal, sob vários aspectos, para ser usada nas indústrias de cerâmica vermelha e vem sendo a solução no uso de combustíveis do setor", relatou a consultor técnico da Anicer Edvaldo Maia.

Lima ainda complementou que desde a carta de Pero Vaz de Caminha, sabe-se que o Brasil é a terra onde se plantando, tudo dá. "Portanto, com as técnicas modernas, planejamento estratégico e estudos técnicos específicos, o Brasil tem potencial de resolução de seus problemas energéticos com uso de biomassa”, finalizou.

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Energias renováveis

 

Conforme o consultor técnico da Anicer, Osiris Lima, "um país em desenvolvimento, que mesmo em crise tem seu consumo energético sempre batendo recordes máximos e não tem um plano de geração de energia renovável, está fadado ao caos energético, que gera custos cada vez mais elevados e que serão sempre repassados aos industriais e ao consumidor final dos produtos”.

“É fato e necessidade do mundo contemporâneo incentivar a produção de energias renováveis ou alternativas de energias limpas, porque é necessário reduzir os grandes impactos ambientais no que diz respeito ao efeito estufa e contribuir no rearranjo de equilíbrio climático global. Antes que seja tarde", complementou Abdel Hatch.

 

Fonte: Revista Novacer Ed. 69

 

 

 

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